quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O VIAJANTE



Sou seu desejo mais ilícito, sou tua droga mais eficaz, sou teu sonho mais insano, tua obra mais contemplada, seu desejo mais oculto, seu energizante, seu viajante. Você para mim é mais uma, eu sou o viajante, o que mais provou durante as estradas vitais. Sou o homem desprovido de sentimentos, aquele que usa e depois irá jogar no âmbito mais propício. Somos as obras harmônicas, porque nenhum completa o outro. Somos o novo, inigualável e inominável. Somos tudo aquilo que não é clichê.
Eu usei seu corpo, paguei e não a quis mais. Vi lágrimas correrem no seu semblante, sorri e mostrei novamente ser desprovido de sentimentos, o jovial sem escrúpulos que você conhecera. Meus risos transformaram em desgosto, mas fora seu desgosto. Partimos e eu executei vôo. Adentrei e senti a brisa bater contra minha face cândida e impiedosa, vi você, senti, usei novamente e joguei-a na sarjeta. Desta vez, ergui minha arma e a matei. Minha arma fora apenas um adeus, e tal adeus a matou. Será que eu era o vil, o impiedoso? Será? A duvida era indubitável. Parti e segui rumo, a minha estrada estave para acabar.
Senti-me afagado, não havia um amor dentro da minha cavidade na altura do peitoral. Aquilo chamava-se coração e eu o desconhecia. Executei a morte, um suicidio, mas fora a atitude mais plausível que eu praticara em toda minha vida.
                               ( Murillo Henrique ) ps : eu te amo sz

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